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Dependência tecnológica na infância: O que deve ter em atenção? 

Dependência tecnológica

A dependência tecnológica na infância é um tópico cada vez mais abordado no nosso quotidiano, principalmente entre pais e educadores. No entanto, é frequente vermos crianças de tenra idade agarradas a tablets, telemóveis ou televisores, durante horas a fio. Apesar da importância que a tecnologia representa nos nossos dias, é fundamental que os pais intermedeiem o modo como é utilizada pelas crianças.

 

Dependência tecnológica na infância – O que dizem os dados internacionais?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselha a utilização de ecrãs por crianças com menos de 1 ano. Em idades entre 1 e 2 anos, continua a não recomendar esses dispositivos e alerta para a importância da promoção do movimento e da atividade física. Acima dos 2 anos, sugere que os miúdos não passem mais de 1 hora diária em frente a um ecrã.

No entanto, dados de 2019 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) referentes ao Reino Unido indicam que caminhamos no sentido contrário. Naquele país, 36% das crianças entre 3 e 4 anos passam mais de 6 horas por semana em jogos digitais. O número cresce para 63% em crianças entre 5 e 7 anos, nas quais a dependência tecnológica ultrapassa as 7 horas semanais.

 

Um problema que passa despercebido

O tempo passado pelos adultos em frente a um ecrã supera inequivocamente o das crianças. A plataforma PORDATA indica que, em 2002, 27,4% das pessoas com 16 anos ou mais utilizava computador e internet. Em 2019, esse número aumentou para 75,3%. Mas, claro, adultos são adultos e os efeitos da dependência tecnológica nas crianças são bem mais preocupantes.

Contudo, há um problema do qual nem toda a gente se apercebe e que é um desafio com que a maioria das famílias se debate. Muitas vezes, o tempo passado pelos adultos em frente a um ecrã concorre com o tempo de interação e relação com as crianças.

O Royal College of Paediatrics and Child Health refere que há falta de fundamentação sobre o efeito “tóxico” do tempo passado em frente a um ecrã. Além disso, salienta o facto de a maioria dos estudos se referir apenas ao período despendido a ver televisão. Ou seja, as evidências são frágeis, não sendo possível determinar com exatidão os níveis recomendados. Assim, os limites devem ser estabelecidos pelos pais, devendo prevalecer o bom senso e a coerência.

 

Excesso de tecnologia na infância pode roubar tempo de qualidade em família

São muitos os pais que se preocupam com este assunto e com os potenciais efeitos nefastos para a saúde e bem-estar das crianças. Trata-se de um mundo novo sobre o qual há muito ainda por compreender.

Hoje é cada vez mais importante estar atento e questionar: o que está a deixar de fazer para estar em frente a um ecrã? Quanto desse tempo poderia ser passado noutras tarefas potencialmente mais interessantes e importantes para a qualidade das interações familiares? Falamos da relação das crianças com os restantes membros da família, mas também dos pais entre si.

Assim, o Royal College acredita que muitas das associações entre o tempo de ecrã e os seus efeitos negativos sejam resultado da perda de oportunidades para atividades mais positivas. Isto inclui a socialização, mas também a prática de exercício físico e o sono. Tudo isto é prejudicado pelo período passado em frente a um ecrã.

 

Tecnologia na infância? Com conta, peso e medida!

De forma a combater a dependência tecnológica na infância, talvez o mais importante seja criar um tempo específico para o ecrã. Idealmente este período deve ser idêntico para crianças e adultos, garantindo que sobra tempo para o convívio familiar. O mais importante é que os adultos deem o exemplo.

A gestão deve ter em conta a idade da criança e a sua personalidade. Há crianças que naturalmente se cansam dos ecrãs passado algum tempo. No entanto, há outras que se deixam absorver totalmente e que só conseguem desligar quando resgatadas pelo adulto.

Também não nos podemos esquecer que nem tudo na tecnologia é negativo e que existe uma série de atividades que podem ser feitas com recurso aos dispositivos móveis. Há tempo para o entretenimento, mas também para atividades de aprendizagem.

Acima de tudo, é fundamental que a utilização dos ecrãs não interfira na qualidade do sono. Já todos sabemos que a exposição à luz e aos múltiplos estímulos destes dispositivos inibem o “desligar” natural do cérebro no período noturno. Nesse sentido, é importante ter atenção ao horário em que os ecrãs estão disponíveis para as crianças.

 

Como avaliar a dependência tecnológica?

O mais importante será que a família observe o tempo que as crianças passam em frente aos ecrãs. Acima de tudo, pretende-se que os pais tomem consciência da exposição diária para avaliar se pode ser considerada dependência tecnológica. Existem aplicações que permitem uma monitorização, mas pode ser usado um simples temporizador.

Para esta avaliação, as famílias podem colocar 3 questões essenciais:

  1. A utilização do ecrã interfere com o sonoe a rotina de ir dormir?
  2. O uso do ecrã influencia as atividades emfamília?
  3. Quanto tempopassa cada um dos membros da família em frente ao ecrã?

 

A importância de agir no presente para melhorar hábitos futuros

Naturalmente, existem outros perigos e desafios à medida que a criança cresce e passa a utilizar de forma autónoma os meios digitais. Contudo, o modo de agir de uma criança no futuro pode ser influenciada hoje, colocando-a em contacto com outros estímulos.

É importante que, desde cedo, lhe sejam apresentadas outras ferramentas e atividades para ocupar o tempo para além dos ecrãs. Oferecer-lhe tempo de qualidade, com a disponibilidade real e não dispersa dos pais, deve ser uma prioridade para a prevenção da dependência tecnológica. Assim, é possível que, mais tarde, a criança-adolescente seja capaz de regular o seu tempo de ecrã de forma mais saudável.

De qualquer modo, não há ponto de viragem: estamos em plena Era Digital! Todas as crianças que vivem rodeadas de tecnologia devem aprender a utilizá-la. Os dispositivos tecnológicos são as ferramentas, não do futuro, mas do agora. O papel dos adultos, pais e educadores, como em tantas outras situações, é mesmo o do cliché: dar o exemplo para evitar a dependência tecnológica!

 

Maria Inês Peceguina – Ph.D Psicologia do Desenvolvimento
QInesis

 

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