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Até quando devemos manter o mistério dos presentes de Natal? 

presentes de Natal

Uma vez terminada a época festiva, acabaram-se as artimanhas, histórias e fantasias inventadas para entregar os presentes de Natal às crianças. Os pais questionam-se, então, se no próximo ano os filhos ainda acreditarão nos poderes especiais que tanta magia conferem a esta quadra. 

Independentemente das crenças, valores e rituais, muitas famílias reproduzem a mesma narrativa, mantendo viva a história de outros tempos. Existe, dizem os adultos, uma entidade com poderes mágicos que entrega os presentes de Natal às crianças.  

Para uns, trata-se do Pai Natal. Para outros, o responsável por deixar as prendas é o Menino Jesus. E há ainda quem atribua o mérito aos Reis Magos. Mas até quando devemos fantasiar sobre quem deixa os presentes no sapatinho? Será altura de contar a verdade ou devemos deixar que esta história perdure no tempo? 

 

Pai Natal ou “juiz” dos presentes de Natal?

Algumas famílias acrescentam a esta entidade mágica (Pai Natal, Menino Jesus ou Reis Magos) o poder da justiça. Ou seja, os presentes de Natal que a criança recebe (ou não) resultam do seu comportamento durante o ano. Tudo isto como se a entidade recebesse um relatório e depois selecionasse a medida da recompensa: pequenos ou grandes presentes de Natal, muitos ou poucos, ou ainda carvão (símbolo dos grandes descuidos de comportamento). 

Os primeiros avisos surgem a partir do final de outubro ou início de novembro, quando aparecem as primeiras decorações de Natal. Começamos a ouvir o argumento Olha que o Pai Natal está a ver tudo!” com mais frequência. Para algumas famílias, talvez até resulte. 

Também não é incomum que as crianças pensem que qualquer desejo que surja nesta altura possa ser remetido ao Pai Natal ou Menino Jesus. Contudo, este pressuposto pode incluir pedidos mais requintados. Por exemplo, que o pai ou a mãe passem mais tempo a brincar consigo, que o irmão mais novo seja devolvido ao local de onde veio antes de existir lá por casa ou ainda que alguém importante que perderam possa regressar só um bocadinho na noite de Natal.  

 

O fim da inocência

Até por volta dos 5 ou 6 anos, antes do início da idade escolar, é provável que a maioria das crianças não levante questões sobre a veracidade dos poderes do Pai Natal, Menino Jesus e Reis Magos. Isto é possível porque a educação infantil e pré-escolar fora da família tende a convergir com estas práticas. Além disso, dedica-se entusiasticamente à decoração, cânticos e outros rituais natalícios. 

A partir daqui, em tempos de diversidade e pluralidade cultural, é possível que nos 2 ou 3 anos seguintes, entre os 6 e os 9 anos, tudo mude. A experiência entre as crianças e a maturidade ao nível do pensamento acabam por gerar confronto com o que até ao momento não levantava dúvidas. A criança mais velha começa a ter questões mais pragmáticas sobre a exequibilidade destas ações. 

Surgem, então, perguntas como as seguintes: Como é que ele consegue saber sobre todas as crianças do mundo inteiro? Como é que entra nas casas sem chaminé? Qual é o plafond? Porque é que nunca ninguém o viu? Quem é que lhe leva as cartas? Quem é que as lê? Funciona como as encomendas, tem um catálogo online? E como é que ele sabe tantas línguas? Será que não é diabético? Não era melhor deixar só cenouras para ele e para as renas?  

 

Contar a verdade ou manter a fantasia?

Não existem estratégias certas nem erradas para desvendar o mistério dos presentes de Natal. Tudo vai depender de cada família e de cada criança. Deve prestar atenção ao desejo revelado de saber a verdade, bem como ao de manter a fantasia. Há crianças que resistem a esse salto, e isso deve ser respeitado. Outras querem avidamente desapegar-se dos contos de fadas. 

Se uma criança perguntar diretamente, o melhor será responder da mesma forma e honestamente. Se a pergunta se repetir, isto indica que talvez a criança esteja a pedir uma resposta intermédia. Um talvez ou um “eu acho que esses poderes podem não ser completamente verdade, mas também não sei tudo”. 

Seja qual for a opção, o mais importante será, porventura, contar as histórias por detrás destas personagens e o que lhes deu origem. O principal é dar sentido, significado, incluir afetos, emoções e valores. Talvez o foco deva ser o menos possível nos objetos e o mais possível no espírito da época. 

Mais do que para entregar presentes de Natal, a época natalícia deve servir para estar, para contar e para ouvir, para inventar novos rituais e para construir boas memórias da infância. Pode ser também a oportunidade para fazer brilhar os olhos da outra criança que habita em todos e que tantas vezes surge inesperadamente quando somos nós pais e mães. 

 

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Maria Inês Peceguina  Ph.D Psicologia do Desenvolvimento  

P’la QInesis 


 

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