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“Mau perder”: Ensine o seu filho a aceitar as derrotas

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Mau perder” é uma expressão que ouvimos sempre como crítica negativa, como julgamento de quem não sabe aceitar adversidades… Normalmente, associado ao jogo, o “mau perder” pode também referir-se à não aceitação de resultados ou consequências negativas de escolhas que nalgum momento tomámos.

Se não houvesse algum propósito no “mau perder”, porque seria algo pelo qual já todos passámos, ou pelo menos algo que já nos apontaram?

Este artigo pretende refletir um pouco sobre o que é, afinal, o “mau perder”, quais as causas, porque existe e como podem os pais ajudar os filhos a gerir este sentimento.

 

Porque temos “mau perder”?

 

Temos “mau perder” porque precisamos de, por vezes, ganhar! Não gostamos dos fracassos porque todos necessitamos de atingir alguns êxitos! Faz parte natural da nossa biologia. Alguma competitividade está intimamente relacionada com a nossa própria sobrevivência, sobretudo quando pensamos numa perspetiva filogénica (como a evolução da nossa espécie).

Mais ainda, numa sociedade onde (infelizmente) cada vez mais se cultiva a competitividade em detrimento da cooperação, em que tendemos a ensinar às nossas crianças que têm de ser as melhores ou “não chegarão a lado nenhum”, é perfeitamente normal e expectável que se crie uma “aversão” a perder.

Claro que também existe o “mau-perder” coletivo, e às vezes pode até servir como ocasião de partilha de situações problemáticas e ponto de partida para soluções em conjunto.

Ao longo de um desenvolvimento ontogénico (de bebé à fase adulta) considerado normal, passamos de um acentuado egocentrismo para uma noção mais eco-centrada e mais abrangente. Graças à empatia da qual somos dotados, podemos começar a compreender o ponto de vista dos outros. Portanto, aceitamos melhor que as derrotas de uns são por vezes as derrotas de outros, mas implicam também as vitórias de terceiros.

 

Para que serve o “mau perder”?

 

Antes de mais, importa perceber que ter “mau perder” não é, na realidade, uma característica ou defeito da pessoa. Trata-se de algo comum a todos os indivíduos e que é bastante importante para o seu desenvolvimento.

A não aceitação simples do “perder” está intrinsecamente relacionada com a vontade ou necessidade de melhorar. Sobretudo nos primeiros estágios de desenvolvimento, querer não perder é necessário para que exista uma motivação, geralmente intrínseca, para se procurar uma melhor resposta, uma melhor adequação ao que o meio envolvente nos proporciona.

Falhar, errar e perder propiciam uma janela de oportunidade nesta adequação, neste crescimento e afinação das nossas respostas e ações. Associar estes acontecimentos a uma emoção negativa é, então, fundamental para a vontade e desejo de melhorar.

Estas flutuações entre fracassos e sucessos vão, de certa forma, ajudar a moldar o nosso autoconceito e a nossa sensação de autoeficácia.

Lidar com “mau perder” ajuda-nos a lidar com as nossas frustrações, sendo muito importante no treino da nossa própria resiliência! Ao lidarmos com pequenos problemas destes, estamos a preparar-nos para lidar com problemas futuros mais complexos.

 

O que devem os pais fazer?

 

Ter “mau perder” revela-se problemático quando não conseguimos lidar com a frustração, nos isolamos e desistimos! Para que os pais possam ajudar as crianças a viver com estas situações mais específicas, fica uma pequena lista de dicas que podem seguir.

 

1. Focar-se nas áreas fortes e não nas fracas

Todas as crianças têm algo no qual são particularmente talentosas. Nunca é demais, nestas alturas, reforçar e relembrar estas capacidades!

 

2. Não proteger as crianças de pequenos fracassos

Já vimos que estas situações são importantes para o desenvolvimento da criança! Não vale a pena superproteger evitando a situação. E já agora, pais, não deixem as crianças ganharem sempre. Geralmente, elas são mais perspicazes do que esperamos e percecionam interiormente a vitória como uma “falsa vitória”. Em casos extremos, tal pode até levar a uma outra situação de conflito.

 

3. Aproveitar a oportunidade para falar sobre sentimentos negativos, aproximando pais e filhos

Se a criança está triste por ter perdido, esta é uma ótima ocasião para a aproximação e partilha! Falar sobre o que nos magoa ou causa ira funciona bem como catarse do problema. Ademais, cria confiança para que a criança tome iniciativa de partilhar com os pais frustrações futuras!

 

4. Motivar a criança a nunca desistir

Relembre o seu filho de que tudo faz parte de um processo. Aquilo que “ele não consegue fazer” é, na verdade, aquilo que “ele AINDA não consegue fazer”!

 

5. Educar para mais situações de cooperação

Hoje em dia, existem poucas situações de jogo que sejam cooperativas, em que não haja perdedores, mas todos sejam vencedores. Há, no entanto, diversos jogos deste género acessíveis a pais e filhos.

 

6. Os pais aprenderem a lidar melhor com os seus próprios fracassos

Servir de exemplo à criança é uma poderosa maneira de ensinar os filhos. Os miúdos aprendem muito com o exemplo dos pais. Se soubermos reagir positivamente às nossas próprias derrotas, eles aprenderão a fazer o mesmo!

 

João Coelho
QInesis

 


 

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