Como evitar o insucesso escolar? Um guia para pais

insucesso escolar

Com a chegada do 3º período escolar, e consequente aproximação do final de mais um ano letivo, dá-se um aumento quase exponencial das preocupações no seio familiar relativas ao insucesso escolar. Por muito que saibamos que há muito mais no desenvolvimento de uma criança do que simplesmente a aprendizagem de conceitos académicos, este parece ser sempre um foco importante.

As notas de final de ano surgem quase como uma meta, um fim, que determina o quão capaz o aluno é ou foi demonstrando ser ao longo do ano. É também muito difícil desfazer a ideia de que as notas são ditadoras do futuro profissional de uma criança, apesar da vasta bibliografia que defende uma ideia totalmente diferente.

Este artigo tem, portanto, a intenção de dar algumas dicas para o caso de os resultados não terem sido os antecipados pelos pais e/ou pelos próprios alunos. Pretende proporcionar pistas e reflexões sobre como proceder relativamente a estas tensões que ciclicamente assaltam as famílias. Seguem-se alguns tópicos de importante consideração sobre o sucesso e o insucesso escolar.

 

6 Conselhos para evitar o insucesso escolar do seu filho

 

1. Não retirar a autonomia do estudo ao aluno

Estudar pelo aluno ou fazer os trabalhos por ele, eliminando os obstáculos do seu caminho, é uma das melhores práticas a adotar se não quisermos que o aluno aprenda! Consequentemente, a médio prazo, pode dar azo ao insucesso escolar.

Devemos ajudar a criança a sentir-se capaz e autónoma. Para isso, ela necessita enfrentar dificuldades para que progressivamente consiga ultrapassá-las por si só. Apenas assim poderá ter uma verdadeira noção de capacidade e motivação para resolver novos problemas sem estar dependente do adulto.

 

2. Ter em atenção que o orgulho e o amor dos pais são muito importantes para o aluno

As crianças têm a necessidade, mais ou menos consciente, de serem motivo de orgulho e satisfação por parte dos pais. Esta satisfação faz parte da construção da autoestima da criança e do seu sentido de autovalorização e capacidade. A afirmação por parte do adulto é fundamental para que a criança se sinta capaz e mais autónoma, mesmo que muitas vezes os seus comportamentos e atitudes não o deixem transparecer claramente.

 

3. Não tornar a felicidade dos pais a principal motivação para o estudo

É importante que o empenho para tirar boas notas não seja apenas centrado no adulto (nos pais ou em qualquer outra pessoa que não o aluno).  A motivação deve ser o mais intrínseca possível, com uma noção de locus controlo interno.

A criança deve ser educada para compreender que o esforço necessário para atingir bons resultados escolares tem como objetivo a sua própria satisfação, mais do que a dos pais. Caso contrário, a motivação pode não ser suficiente para que a criança leve os seus esforços até aos resultados desejados. Assim, o insucesso escolar pode acabar por se verificar.

 

4. Não tornar o medo dos castigos a principal motivação para o estudo

Pior do que a felicidade dos pais ser o principal fator motivador é as consequências impostas serem o primeiro motor para atingir boas notas na escola. Para “ajudar” os filhos a trabalharem ou tornarem-se mais responsáveis, por vezes os pais impõem ameaças, castigos e consequências negativas que nada têm a ver com os estudos. Porém, na prática, esta estratégia nunca resulta. E, se resultar, talvez seja altura de ponderar a qualidade da relação emocional entre pais e filhos.

Castigar por insucesso escolar pode ajudar exclusivamente nos casos em que as crianças tenham claras dificuldades em perceber relações de causa-efeito. Mas concretamente para melhorar notas não tem qualquer impacto positivo.

 

5. Não fazer com que o aluno se sinta sozinho contra os pais na sua dificuldade

Independentemente das causas do insucesso escolar, o adulto (e sobretudo os pais) deve colocar-se “ao lado” da criança, auxiliando nos processos de aprendizagem. Lembre-se de que o seu filho necessita de errar para evoluir. Assim, tenha sempre o cuidado de não resolver as dificuldades por ele, mas de lhe dar as ferramentas para que possa superá-las.

 

6. Relembrar que, nalguns casos, algo externo ao aluno pode estar a dificultar

Quando tentamos perceber o que pode estar a causar o insucesso escolar, devemos compreender que a criança, como aluno, está envolta num contexto social altamente complexo e extremamente rico. Do mesmo fazem parte (entre outros) os colegas de sala, professor, amigos da escola, todos os adultos que constituem a comunidade escolar, núcleo familiar e família menos próxima.

A posição na qual o estudante se encontra face a todos estes atores presentes na sua rede social mais ou menos quotidiana influencia grandemente o seu sucesso ou insucesso escolar. Aquilo que a criança sente esperarem dela afeta a sua noção de autoeficácia e a sua motivação e resiliência face às dificuldades inerentes ao seu desenvolvimento e às suas aprendizagens. Assim, é importante perceber que, por vezes, o foco do problema (ou um dos focos) pode estar não propriamente na criança mas sim no contexto à sua volta.

Não quer isto dizer que os pais devem encontrar culpados em qualquer outra coisa que não na criança, desculpabilizando-a como se fosse uma vítima das circunstâncias. Esta postura retira-lhe responsabilidade, mas também a capacidade de melhorar e crescer com as dificuldades.

Uma desresponsabilização total implica um atestado de incapacidade de resolver um problema. Devemos, pelo contrário, promover a sensação de que há sempre algo a melhorar e de que a prática leva à perfeição!

 

Em suma, o insucesso escolar não significa crianças incapazes cognitivamente! Saiba que os bons resultados são um processo… e os processos de aprendizagem demoram o seu tempo. Trabalhando de forma positiva e consciente, continuamente formam-se crianças mais capazes de resolver problemas e de atingir maiores sucessos no futuro!

 

Dr. João Coelho
QInesis

 


 

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