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Desenvolvimento infantil dos 3 aos 6 anos: Mais aprendizagem!

Desenvolvimento infantil

O desenvolvimento infantil é um tema sobre o qual temos vindo a debruçar-nos no nosso blog. No artigo Desenvolvimento Infantil dos 3 aos 5 anos: Evolução e Mudança, traçamos algumas linhas gerais das competências a emergir e consolidar naquelas idades. Enumeramos também sugestões de atividades que as podem estimular.

Neste artigo, procuraremos abordar formas de potenciar as aprendizagens a nível escolar. Isto sem esquecer o papel importante que os pais exercem em todo o processo.

 

O papel do educador no desenvolvimento infantil

Cabe a nós, profissionais, procurar estar atualizados a nível pedagógico e científico e transpor para a nossa prática educativa esses princípios. Devemos fazê-lo com o cuidado de os adaptar ao nosso contexto e realidade, tendo sempre presentes as caraterísticas do nosso grupo de crianças, bem como a individualidade de cada uma.

A contínua avaliação do nosso trabalho e as reflexões que fazemos permitem uma constante adequação às reais necessidades e interesses dos alunos. São muitas as teorias em que sustentamos a nossa prática, tanto a nível de desenvolvimento e aprendizagem, como de pedagogia. Esses princípios acabam por estruturar o modelo pedagógico de cada profissional.

 

O papel da criança no seu próprio crescimento

Cada criança tem as suas especificidades, interesses e ritmo de desenvolvimento. A sua individualidade é fruto da conjugação de fatores genéticos e da sua relação com o meio. Na entrada no pré-escolar, cada criança é, portanto, única.

O desenvolvimento infantil deve ser observado numa perspetiva plural. Várias dimensões interligam-se neste processo ao longo do tempo, nomeadamente nas vertentes física emocional, cognitiva e sociocultural.

Na segunda infância, entre os 3 e os 6 anos, a criança encontra-se na fase pré-operatória. Nesta etapa do desenvolvimento infantil, já é capaz de construir as representações do meio e reproduzi-las. Desse modo, o educador tem uma enorme responsabilidade neste processo, pois vai mediar os processos de aprendizagem.

Apesar da influência do educador, a criança tem um papel ativo no desenvolvimento da sua aprendizagem. Já é capaz de interpretar e questionar tudo aquilo que o rodeia e, dessa forma, constituir-se como autora do seu conhecimento. É um processo constante que se consolida ao longo do tempo.

Cada criança cria representações próprias sobre o mundo que a rodeia. Além disso, as suas características individuais e os fatores ambientais em que se insere tornam-na única. Não há crianças iguais e, por isso, o trabalho do educador deve diferenciar-se e adaptar-se a cada uma.

 

O que nos diz a teoria sobre desenvolvimento infantil

Loris Malaguzzi já preconizava as “cem linguagens” das crianças, numa clara alusão aos seus potenciais comunicativos, que não se esgotam somente na linguagem verbal. Gardner veio também revolucionar este paradigma. Demonstrou que, para além da inteligência linguística e lógico-matemática, existem outros seis tipos de inteligência. O conjunto das oito constitui as “inteligências múltiplas”.

Gardner defende que cada pessoa possui os oito tipos de inteligência, embora cada um deles apresente graus diferentes de desenvolvimento. Deste modo, as experiências devem ser diversificadas e os vários domínios do saber devem ser estimulados e potenciados. As crianças devem ter a possibilidade de ganhar consciência, descobrir, aperfeiçoar e enriquecer as suas competências mais fortes.

A educação deve, por isso, basear-se nos interesses e motivações dos miúdos. O conhecimento e as aprendizagens devem construir-se de forma articulada e transversal, abrangendo todas as áreas de conteúdo.

A pedagogia de trabalho de projeto, que parte da criança, é disso exemplo. É esta que conduz todo o processo, com orientação e apoio do adulto, que serve de “andaime” na construção do seu saber, como defende Vygotsky.

 

A importância da brincadeira

Na escola, a relação que se estabelece entre educadores e crianças deve ter por base o afeto e a genuinidade, sem esquecer a intencionalidade educativa.

A Educação de Infância, regendo-se por linhas orientadoras de ação (as Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar), permite que o currículo do grupo seja construído com e para os alunos.

A brincadeira deve ser privilegiada no desenvolvimento infantil. Esta atividade é uma forma de a criança explorar o mundo, imaginando livremente certos papéis. Desse modo, constitui-se como um espaço educativo onde:

  • Constrói a sua identidade – Reconhece as suas caraterísticas físicas, culturais e emocionais, aprende a lidar com a frustração, constrói a sua autoestima e adquire confiança;
  • Aprende a relacionar-se com os outros – Percebe o que é respeito, empatia, solidariedade, entreajuda, sentimento de pertença e trabalho de equipa;
  • Explora e aperfeiçoa as suas competências motoras;
  • Conhece, explora e questiona o mundo que a rodeia, desenvolvendo a curiosidade, imaginação e atitude crítica.

 

Preocupações atuais

A preocupação com o desenvolvimento infantil é hoje uma constante. Os pais procuram estar mais atentos e informados e a sua participação é mais ativa e pertinente. Há uma maior consciência do impacto da educação no desenvolvimento das nossas crianças. No entanto, cada vez mais se assiste à substituição do brincar pelas novas tecnologias.

Esta situação é prejudicial, uma vez que as crianças aprendem através dos sentidos. As novas tecnologias limitam a aprendizagem e o desenvolvimento infantil, para além de condicionarem as relações sociais entre pares.

Verifica-se, na atualidade, uma crescente sobrecarga de estímulos. Segundo alguns estudos, está incorreta a crença de que a quantidade de estímulos a que uma criança é sujeita corresponde proporcionalmente ao seu grau de inteligência. Essa sobrecarga pode mesmo ter um efeito contrário a nível da aprendizagem.

Em alguns casos, tal como a investigadora Catherine L’Ecuyer dá conta, a própria brincadeira é convertida em educação formal. Este é um exemplo da sobre-estimulação, que acaba por limitar e condicionar a curiosidade da criança sobre o que a rodeia, acabando por perder o encantamento sobre o mundo. Esse encantamento é, porém, motor e condutor da aprendizagem.

Compete-nos a nós (adultos, escola e família) zelar para que a capacidade inata para a brincadeira seja preservada e estimulada. Assim, as nossas crianças serão adultos felizes, capazes e solidários.

 

Educadora Inês Vicente
Educadora Alexandra Viana
Externato Champagnat

 

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