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A Revolução? Que Revolução?

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A Revolução dos Cravos, perpetuada como 25 de Abril: o fim da ditadura, o início da liberdade. 43 anos depois, continua a ser um marco decisivo no percurso histórico do nosso país, com repercussão inevitável ainda nos dias de hoje.

A grande preocupação dos estrategas do 25 de abril foi alimentar a rádio com notícias favoráveis ao desenrolar das operações. Confiavam na expectativa positiva da população. O escritor Vergílio Ferreira relata-nos o seu dia 25 de abril de 1974: «Às sete da manhã um amigo telefona-me: ouça a rádio. Ouço sem entender: rebentou a Revolução. A Revolução? Que revolução? Por fim lá vou compreendendo. Toda a manhã a rádio nos vai esclarecendo com notícias.»

Os jornais, finalmente livres da Censura e do Exame Prévio, confirmam em sucessivas tiragens os sucessos desse dia.

 

Fonte: Diário de Notícias

Editorial Notícias, 1984, p.169

 

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Na manhã do dia 25 de abril de 1974, muitos foram os portugueses que terão perguntado “Revolução? Que Revolução”, não porque não sentissem a falta de liberdade, falta de justiça social, falta de desenvolvimento em relação aos países europeus. Vivia-se numa ditadura: o Estado Novo. Um regime político que vigorou em Portugal desde 1932 até 1974, que teve apenas dois chefes de Governo, António de Oliveira Salazar (1932- 1968) e Marcello Caetano (1968-1974).

Portugal sofrera nesse longo período de 42 anos, era um país maioritariamente agrícola e subdesenvolvido, fechado ao mundo. A população subsistia com dificuldades e pouca assistência médica. A falta de saneamento básico, eletricidade e condições de trabalho bastante precárias caracterizavam o quotidiano da maioria da população. O analfabetismo era elevado e poucos conseguiam prosseguir os estudos universitários.

A emigração surgia assim, para muitos, como a solução mais viável ou inevitável para combater este cenário de vida tão difícil. Mas muitos foram os que continuaram a tentar mudar o regime. Tentaram, continuaram, resistiram, sofreram porque foram perseguidos pela PIDE.

Para agudizar ainda mais a situação política e económica do país surge a Guerra Colonial (1960-1974), luta das Colónias contra Portugal, estas reivindicavam a sua independência. Guerra incompreendida e pouco apoiada. Muitos dos seus opositores foram os próprios militares que começaram a tentar derrubar a velha ditadura, já chefiada por Marcello Caetano. É nesse momento que o Movimento das Forças Armadas (MFA) leva a cabo um golpe militar derrubando o regime, praticamente sem violência e sem mortes. Ficando a ser conhecida também como a Revolução dos Cravos, pela forma mais ou menos pacífica como decorreu.

Revolução? Que Revolução? Aquela que não podemos, não devemos descurar mas sim perpetuar a memória, para que as gerações futuras conheçam e partilhem o grande ideal que abriu a porta à democracia e à liberdade!

 

Anabela Escobar
Maria João Correia

Professoras de História
Externato Champagnat

 


 

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