Crianças: Saiba como reagir às suas mentiras!

Crianças

Nas crianças, a mentira é um comportamento natural. Quantas vezes já apanhou o seu filho a mentir? Certamente, este já o enganou de alguma forma em diferentes circunstâncias. No entanto, é essencial contextualizar a mentira e perceber o porquê de esta surgir.

Existem diferentes tipos de fuga à verdade, assim como motivações que lhes estão subjacentes. Ainda que deva ser evitada, a mentira pode ser encarada numa perspetiva positiva. Revela que a criança está a adquirir competências cognitivas importantes para o seu desenvolvimento.

 

Quando é que as crianças começam a mentir?

Como qualquer outro comportamento, a mentira é uma consequência do desenvolvimento psicossocial das crianças. As experiências relacionais fazem com que descubram este tipo de atitude, conseguindo, ao longo do tempo, melhorar a capacidade de mentir.

É por volta dos 2 ou 3 anos que os miúdos começam a utilizar a mentira. De forma pouco aprimorada, já revelam comportamentos, embora nem sempre intencionais, de fugir à verdade ou à realidade. Contudo, é a partir do período escolar – ou seja, dos 6 ou 7 anos – que alcançam maior sofisticação na forma de mentir.

Fruto das vivências e interações, as crianças vão adquirindo competências normais para o estádio de desenvolvimento em que se encontram. Por conseguinte, utilizam novas ferramentas para serem bem-sucedidas. Falamos, por exemplo, das expressões faciais, do tom de voz e da argumentação utilizada, uma vez que já possuem um vocabulário mais rico.

Assim sendo, a capacidade de enganar vai sempre melhorando, sobretudo, devido às competências cognitivas e relacionais que os mais pequenos vão desenvolvendo.

 

Em que circunstâncias os filhos mentem?

A mentira surge de diferentes formas. Por conseguinte, pode ter interpretações distintas. Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, mentir significa “dizer o que não é verdade” ou “o que não se pensa”. Mas será que, quando não dizem a verdade, as crianças estão realmente a mentir?

Logicamente, esta é uma questão que implica intencionalidade e consciência do ato. Nem sempre, quando faltam à verdade, os pequenos têm a perceção de que mentem. Isto porque, principalmente em idades precoces, as crianças têm dificuldade em distinguir a realidade da fantasia. Mostramos-lhe, de seguida, algumas situações que levam as crianças a faltar à verdade.

 

  1. Inventar histórias e fantasiar

Este é um comportamento típico de crianças pequenas. É normal contarem histórias, exagerando e fantasiando o enredo. Dada a limitada compreensão do mundo, elaboram representações mentais que as levam a acreditar naquilo que contam. Normalmente, esta não é uma mentira deliberada nem intencional.

  1. Testar as figuras de autoridade

Quando as crianças descobrem a mentira, usam-na como forma de testar as figuras de autoridade, sejam os pais ou os educadores. Por um lado, tentam perceber quais as consequências e os benefícios de mentirem sobre alguma situação. Por outro lado, avaliam as reações dos adultos.

  1. Proteger-se

Às vezes, as crianças utilizam a mentira como forma de se protegerem de possíveis consequências. É uma reação de defesa intencional, embora possam ainda não estar conscientes das repercussões que a fuga à verdade pode ter noutras pessoas.

  1. Chamar a atenção

As circunstâncias em que surge a mentira podem revelar alguns problemas emocionais que necessitam de avaliação. Em situações de baixa autoestima, por exemplo, as crianças tendem a mentir para não se sentirem inferiorizadas perante os outros.

  1. Manipular

Em idade escolar, as crianças já têm consciência das atitudes que tomam e das consequências dos seus atos. Às vezes, utilizam a mentira para manipular quem as rodeia e para obter vantagens em assuntos que lhes interessem. Este tipo de fuga à verdade acontece tanto com os pais e professores como com os pares.

  1. Reproduzir comportamentos

Durante o período de desenvolvimento, as crianças reproduzem comportamentos, principalmente de figuras que lhes são próximas (familiares e professores). Assim, se a mentira for uma atitude comum no seu dia a dia, os pequenos acabarão por utilizá-la.

 

Como lidar com a mentira infantil?

A mentira acaba por ser natural no desenvolvimento das crianças. No entanto, há certos cuidados que pais e outros agentes educativos devem adotar para que não assuma proporções exageradas. Fique com 5 conselhos para lidar com a fuga à verdade nas crianças:

  1. Avalie sempre as circunstâncias em que a mentira surge;
  2. Nunca rotule as crianças de mentirosas, nem ridicularize as suas atitudes. Tal pode ter um efeito perverso;
  3. Evite mentir aos miúdos. Como se costuma dizer, “a mentira tem perna curta”. Por isso, opte sempre por falar com verdade para as crianças. Repreendê-las por terem este comportamento e depois não dar o exemplo é contraditório, causando-lhes confusão;
  4. Converse com a criança sobre as consequências que a fuga à verdade pode ter para ela e para terceiros. Aproveite para abordar valores como a honestidade e a confiança;
  5. Se a mentira for uma atitude recorrente, procure a ajuda de um profissional para perceber as razões de tal comportamento.

 



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