Sociedade de consumo: Consumir ou não consumir? Eis a questão

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A sociedade de consumo é um fenómeno a que assistimos nos dias de hoje. Repare que consumir ou consumo são, decerto, duas das palavras mais utilizadas na sociedade atual ou contemporânea. Consumir a toda a hora, adquirir algo, tornou-se um desejo permanente que culmina com a realização de uma vontade pessoal.

Desde tenra idade até à idade sénior, vive-se numa espiral constante de consumo. Todo este processo parece normal, fruto de uma revolução neolítica que aconteceu num passado distante e que não mais parou. Mas, como não poderia deixar de ser, nesta sociedade de consumo, existe um reverso da medalha.

Não obstante ao prazer, à realização pessoal e à necessidade que o ato de consumir encerra, este trouxe consigo inúmeros problemas. Falamos, por exemplo, dos problemas ecológicos, geracionais e económicos, o que expressa o conflito entre consumir ou não consumir.

A redução do consumo tornou-se, portanto, uma condição imperativa para um mundo efetivamente sustentável. Mas tal implica, também, um modo de produção preocupado em reduzir os desequilíbrios socioambientais em todo o ciclo de vida de um produto, desde a criação até à utilização.

 

Da sociedade de consumo ao consumo sustentável

O consumo sustentável implica a reciclagem, a reutilização dos resíduos da produção e o uso de embalagens e produtos biodegradáveis. Depende ainda do emprego de tecnologias limpas, que utilizem de forma inteligente os recursos renováveis.

Na sociedade de consumo, urge, pois, consumir-se o necessário, para que a escolha de cada um não comprometa o futuro das gerações seguintes. É preciso que se tenha em conta não só a satisfação pessoal, mas também o impacto ambiental e social.

Este é um grande desafio que não pode ser imputado somente ao consumidor. Tal como refere Lipovetsky (2007), trata-se de reconstruir o conceito de felicidade para que o consumo não destrua a multiplicidade dos horizontes da vida.

Cabe também a outros atores, como governantes, empresários, trabalhadores, educadores, ecologistas e publicitários, desenvolver práticas educacionais que promovam uma forma consciente de viver.

Na sociedade de consumo, é fundamental distinguir necessidades reais das impostas de modo a possibilitar a satisfação das necessidades fundamentais. A mudança dos padrões de consumo, de hábitos, valores e atitudes implica necessariamente mudanças de comportamento, relações e formas de pensar. Só dessa forma o menos será mais. Mais e melhor para todos.

 

Anabela Escobar

Professora de História e História e Geografia de Portugal
Coordenadora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas
Externato Marcelino Champagnat

 



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