Acreditar no Pai Natal é bom ou mau para as crianças?

acreditar no Pai Natal

Acreditar no Pai Natal é algo benéfico ou prejudicial para a educação e desenvolvimento infantil? A questão é colocada por muitos pais, não apenas nesta época, mas ao longo do ano.

Milhões de crianças em todo o mundo continuam a acreditar no velhinho de barbas brancas e vestes vermelhas. Diz-se que vem da Lapónia e que tem uma fábrica cheia de elfos a organizar a distribuição de prendas. Chega de trenó, puxado por renas voadoras. Desce pela chaminé, gosta de leite quentinho com bolachas e só deixa presentes aos meninos que se comportam bem.

A história foi sendo elaborada ao longo dos anos, com a ajuda do cinema, da televisão e até de marcas como a Coca-Cola. Assim, o imaginário infantil foi-se construindo. Hoje em dia, cabe aos pais a nem sempre fácil tarefa de o alimentar e gerir.

Mas, afinal, devemos ou não alimentar a fantasia em torno do Pai Natal? As opiniões divergem, mas dão aos pais a legitimidade para optar por qualquer uma das opções.

 

Acreditar no Pai Natal: Os prós

De acordo com Kristen Dunfield, fomentar a crença no Pai Natal não é, de todo, prejudicial. A professora assistente de Psicologia na Universidade de Concordia, no Canadá, acredita precisamente no contrário.

Com efeito, os contos de fadas são benéficos em muitos aspetos do desenvolvimento infantil. Permitem, por exemplo, exercitar a capacidade de raciocínio contrafactual. Além disso, potenciam o desenvolvimento emocional.

Acreditar no Pai Natal acaba por alimentar e estimular a imaginação, bem como a criatividade. Além disso, tal como todas as histórias de encantar, pode conter uma parte educativa. Por exemplo, a ideia de que o Pai Natal só traz prendas aos meninos bem-comportados pode ser aproveitada pelos pais para incitar ao bom comportamento. No entanto, nunca deverá ser utilizada como forma de chantagem.

A dada altura, os miúdos acabarão por se aperceber de que existem elementos na história que não batem certo. O ponto final deve ser colocado quando as crianças perguntam diretamente se o Pai Natal existe.

Kristen Dunfield acredita que o melhor que os pais têm a fazer é apoiar os filhos, permitindo-lhes descobrir tudo por conta própria. Alimentar uma mentira depois de as crianças se aperceberem da verdade não deverá ser uma opção.

 

O momento da descoberta

À medida que crescem, as crianças começam a questionar-se e a deixar de acreditar no Pai Natal. Perguntas/afirmações como as que se seguem são colocadas aos adultos. A falta de respostas coerentes permite aos mais novos aperceber-se de que tudo não passa de um mito.

  • “Como é que o Pai Natal consegue entregar prendas em todo o mundo numa só noite?”;
  • “Como é que desce pela chaminé, se eu nem tenho chaminé?”;
  • “As renas voam?”;
  • “Aquele senhor com barbas é parecido com o meu pai”.

Ao questionarem, raciocinarem e juntarem as peças do puzzle, as crianças estão em pleno desenvolvimento cognitivo. De acordo com os investigadores, esta descoberta costuma ocorrer pelos 7 ou 8 anos de idade.

No entanto, algumas crianças, mesmo sabendo a verdade, preferem continuar a acreditar no Pai Natal. Assim, ficam mais algum tempo agarradas à felicidade e à magia da época natalícia. Expressam-no através de simples gestos, tais como continuar a escrever todos anos a carta ao Pai Natal.

 

Acreditar no Pai Natal: Os contras

Da mesma forma que existem muitas vozes a favor de acreditar no Pai Natal, há outras que se opõem. Falamos, por exemplo, do psicólogo Christopher Boyle e da socióloga Kathy McKay.

Num estudo publicado na The Lancet Psychiatry, os dois investigadores defendem que os pais não devem fingir a existência do Pai Natal. Evitar a mentira é, em suma, o que está na base desta teoria.

Segundo Boyle e McKay, alimentar esta crença, bem como as mentiras em torno dela, pode afetar a confiança das crianças nos adultos. Uma das questões levantadas é se, depois de mentirem aos filhos, os adultos podem continuar a ser considerados “os guardiões da sabedoria e da verdade”.

De acordo com os especialistas, existem questões moralmente questionáveis em torno do mundo mágico do Pai Natal. No estudo publicado pela revista científica, ambos criticam o conceito de julgamento das crianças por se comportarem bem ou mal. A utilização desta história como forma de “ameaçar” os pequenos não é, portanto, bem vista pelos investigadores.

 

A decisão cabe aos pais

No que toca a acreditar no Pai Natal, o mais importante a reter é que não existe certo ou errado. Os argumentos de ambos os lados são válidos. Por isso, é aos pais que cabe a decisão de alimentar ou não a crença no Pai Natal.

 



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