Açúcar, o vício do século nas crianças!

Açúcar

O açúcar entra das mais variadas formas, muitas vezes disfarçado, em diferentes alimentos. Ao depararmo-nos com este problema, refletimos sobre a importância de contribuir com alguns conselhos e leituras para a redução do consumo de açúcar no nosso dia-a-dia.

Em Portugal, o consumo médio por adulto é de 90g de açúcar por dia. O recomendado é 30g, sendo que as crianças deveriam consumir diariamente apenas 25g.

Os miúdos são expostos desde muito cedo a grandes quantidades de açúcar. Nesse sentido, será necessário haver uma mudança de hábitos alimentares e uma reeducação do paladar.

 

O que é o açúcar?

O açúcar é um carboidrato. Podemos encontrá-lo na forma de sacarose, lactose e frutose. A frutose é o açúcar que se encontra naturalmente na fruta e a lactose é o que se encontra no leite. Por sua vez, a sacarose é produzida através da extração de açúcar de beterraba ou da cana-de-açúcar, dando origem a:

  • Açúcar Refinado (não possui nutrientes e contém químicos);
  • Açúcar Amarelo (levemente refinado, preserva alguns nutrientes e não tem químicos);
  • Açúcar Mascavado (não refinado, conserva os nutrientes).

 

Onde podemos encontrá-lo?

É verdade que o açúcar tem um papel importante na alimentação, mas não se pode exagerar. É essencial saber onde o podemos encontrar nos diferentes alimentos. Alguns tipos de açúcar e gordura devem ser incluídos na dieta alimentar, pois satisfazem as necessidades energéticas e outras funções do organismo.

Os hidratos de carbono podem ser divididos em três grupos distintos: açúcares (monossacáridos, dissacáridos e poliois), oligossacáridos e polissacáridos. A sua função principal é fornecer energia.

O açúcar faz falta no nosso organismo. No entanto, deveríamos consumi-lo nos produtos alimentares, onde o encontramos na sua forma simples. Falamos das batatas, arroz, massas, frutas, pão, alimentos ricos em calorias, vitaminas, minerais, proteínas ou fibras, essenciais para o bom funcionamento energético do organismo. Este carboidrato está ausente na carne, no peixe e nos ovos.

Todos os açúcares acabam na corrente sanguínea sob a forma de glucose. Esta é a forma de açúcar que o nosso corpo utiliza para produzir energia.

 

Quais os malefícios e benefícios?

O açúcar é um dos principais inimigos da nossa saúde, porque, quando consumido excessivamente, pode causar alguns malefícios graves. Por isso, deverá ter em atenção todos os produtos alimentares com açúcares na sua composição. O mesmo está presente não só nos doces, mas também nos refrigerantes, frutas, cereais, entre outros.

Quando ocorrem excessos de glicose – se esta não for consumida através da perda de energia – o organismo transforma-a em gordura. Tal leva ao aumento do peso, diabetes e doenças cardiovasculares, prejudica a memória, dificulta a aprendizagem e causa problemas dentários. Ademais, aumenta o risco de cancro, envelhecimento precoce, problemas na flora intestinal, colesterol e asma e enfraquece o sistema imunitário.

Sempre que se excede no açúcar, quem vai sofrer é o pâncreas. Este é o órgão responsável pela produção da insulina, ou seja, tem como função a transformação da insulina em glicose.

O açúcar vicia o cérebro porque estimula a produção de uma hormona chamada dopamina, que é responsável pela sensação de prazer e bem-estar, o que faz com que o organismo fique viciado nesse tipo de alimentação. Não é por acaso que os produtos processados, apesar de acharmos que não, têm todos açúcar na sua constituição porque o intuito é tornarem-se viciantes.

— Dr. Manuel Pinto Coelho

O açúcar é muito prejudicial para a saúde, especialmente se for consumido em bebidas, porque a velocidade com que a glicose e a frutose entram no sangue é agressiva do ponto de vista metabólico.

— Nutricionista Nuno Borges

 

Em Portugal, ingere-se quase o dobro do açúcar recomendado. Atualmente, as famílias andam numa correria desenfreada contra o tempo para conciliarem a vida familiar e o emprego. Este ritmo de vida é também um dos grandes aliados da ingestão fácil de açúcares.

De acordo com alguns nutricionistas, também podemos encontrar benefícios no consumo moderado e equilibrado do açúcar. Este é responsável por fornecer ao organismo a glicose, componente importante para o bom funcionamento do cérebro, retina e rins. Além disso, contribui como fonte de cálcio, fósforo, ferro, potássio, sódio, magnésio e de vitaminas do complexo B.

Os indivíduos saudáveis podem consumir sacarose q.b., pois é a forma mais natural de comer alimentos doces.

— Dietista Patrícia Nunes

 

Como reduzir a ingestão de açúcar?

Sugerimos que leia os rótulos dos alimentos e opte por aqueles que apresentem, na sua composição, menor teor de açúcares. Segundo Mário Cordeiro, autor de O livro da criança (p.57), “o açúcar só serve para fornecer calorias”. Conheça aqui a perspetiva da Ordem dos Nutricionistas sobre a redução do consumo desta substância.

 

As crianças vs O açúcar

A sociedade deveria olhar para o futuro e começar outros hábitos acerca da ingestão de açúcar, não recomendado desde cedo. “O significado dos doces ultrapassa os aspetos meramente alimentares – recompensa, festa, apreciação positiva. Contudo, temos de fazer todos – pais, educadores, família, sociedade em geral – um grande esforço para diminuir o consumo de doces e de açúcar”, admite o pediatra.

 

Conselhos a dar sobre o açúcar

“Em boa regra, os produtos com sacarose só deveriam ser consumidos quando fosse preciso uma reposição energética rápida”. Isso mesmo refere Mário Cordeiro, na obra O livro da criança.

Deixamos alguns conselhos para que possamos mudar hábitos alimentares e, ao mesmo tempo, reduzir o consumo excessivo de açúcar:

  • Na sua dieta alimentar, não corte radicalmente o consumo desta substância, para evitar frustração;
  • Ingira mais proteína, principalmente no início do dia;
  • Coma mais fruta e alimentos não refinados;
  • Não substitua o açúcar por adoçante. Habitue-se a sabores naturais;
  • Dê preferência à água em vez de bebidas às quais foi adicionado açúcar.

Francisco Varatojo eliminou o açúcar da sua alimentação, defendendo que “não é assim tão difícil”. O antigo diretor do Instituto Macrobiótico de Portugal substituía-o nas sobremesas por maltes de cevadas, açúcares simples e nutritivos. Contudo, defendia que era mais difícil deixar a sacarose. Isto porque esta é socialmente aceite, comparativamente a outros hábitos também prejudiciais ao organismo.

 

Sugestão de leitura

Aos pais, educadores e familiares, deixamos estas sugestões de leitura. Assim, poderemos ver com outros olhos o consumo do açúcar, de modo a recriar hábitos alimentares saudáveis.

  • “Doce Veneno” de Cláudia Cunha;
  • “Guerra ao Açúcar” de Sónia Marcelo.

 

 

Este artigo foi desenvolvido pelas educadoras do Externato Champagnat, a lecionar os 3 anos de idade. O mesmo visa proporcionar uma leitura para que toda a comunidade escolar reflita sobre novos hábitos alimentares.

 

Educadora Diana Grilo

Educadora Rute Malhão

Educadora Teresa Alves

 



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