Desenvolvimento infantil e os perigos da dependência dos ecrãs!

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Um desenvolvimento infantil saudável é determinante para que as crianças de hoje se tornem adultos felizes no futuro. Nos dias que correm, a educação é indissociável do papel das novas tecnologias no processo de aprendizagem.

A dependência dos ecrãs começa desde cedo. É com enorme facilidade que os filhos descobrem a televisão e os portáteis, tablets e smartphones dos pais. No início, exploram-nos por mera curiosidade, o que é uma característica comum às crianças nas primeiras etapas de desenvolvimento infantil. O sinal de alarme surge quando os dispositivos tecnológicos se tornam a principal fonte de brincadeiras e de prazer.

 

Regular a interação com os ecrãs de forma a evitar dependência

De acordo com a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadiana de Pediatria, é importante regular o tempo que as crianças dedicam aos dispositivos eletrónicos. Só dessa forma será possível evitar a dependência dos ecrãs. Nesse sentido, ambas as instituições emitiram as seguintes recomendações:

  • Entre os 0 e os 2 anos, os miúdos não devem ser sujeitos ao contacto com qualquer ecrã;
  • Entre os 3 e os 5 anos, as crianças não devem ser expostas a equipamentos eletrónicos durante mais de 1 hora por dia;
  • Entre os 6 e os 10 anos, é desaconselhável interagir mais de 2 horas diárias com dispositivos móveis.

A realidade é, contudo, muito diferente! As crianças passam mais tempo em frente aos ecrãs do que o aconselhável. Este hábito prejudica a sua saúde e o seu desenvolvimento cognitivo e social.

 

4 Perigos da dependência dos ecrãs para o desenvolvimento infantil

1. Défice no desenvolvimento cognitivo e problemas de aprendizagem

A exposição precoce e excessiva aos dispositivos eletrónicos pode gerar um défice de atenção e concentração nas crianças. Os estímulos gerados pelos ecrãs são múltiplos e de curta duração. Além disso, a linguagem verbal tende a ser escassa/limitada ou gramaticalmente incorreta.

Os dispositivos eletrónicos interferem negativamente com a aprendizagem e desenvolvimento infantil, com impacto no aproveitamento escolar. De resto, a dependência dos ecrãs compromete o desenvolvimento da capacidade de visualização 3D e de orientação visual/espacial. Isto porque os ecrãs, contrariamente ao ambiente real, apresentam apenas imagens 2D.

2. Atraso no desenvolvimento motor e obesidade

A dependência dos ecrãs faz com que as crianças se tornem menos ativas e interajam com um menor número de objetos reais e manipuláveis, de dimensões, pesos e formas variadas. Isto condiciona, particularmente, a motricidade fina.

O uso excessivo de dispositivos móveis pode também causar sedentarismo, comprometendo o desenvolvimento infantil saudável. Os miúdos passam mais horas sentados do que a brincar ativamente. Ademais, o contacto permanente com equipamentos tecnológicos leva a que as crianças “petisquem” alimentos calóricos fora das refeições.

O sedentarismo e uma alimentação nutricionalmente desadequada são fatores de risco que contribuem para a obesidade infantil.

3. Dificuldades de socialização

Para existir socialização, os mais novos necessitam de estar em contacto presencial com outras crianças ou adultos. Isso torna-se inviável através dos ecrãs. Na verdade, qualquer comunicação que ocorra via um dispositivo tecnológico será sempre intermediada por esse aparelho. Perante situações menos positivas, esta condicionante causa uma falsa sensação de controlo à criança.

Devido aos equipamentos eletrónicos, os miúdos participam em menos atividades extracurriculares, tornam-se mais introspetivos e apresentam dificuldades em controlar a impulsividade quando a sua sensação de controlo é, de alguma forma, afetada.

Além disso, a dependência dos ecrãs influencia o aparecimento de condutas agressivas. As crianças aprendem, sobretudo em tenras idades, por imitação. Logo, não sendo capazes de filtrar as atitudes violentas explícitas a que são expostas através dos media e dos videojogos, acabam por assumir esses comportamentos.

4. Absorção de radiações nocivas para a saúde

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), smartphones e outros dispositivos eletrónicos sem fios potenciam o risco de cancro. A dependência dos ecrãs leva a que as crianças fiquem expostas a radiações durante longos períodos de tempo, tornando-se mais vulneráveis.

Numa sociedade envolta em tecnologia, lidar com este problema é um enorme desafio. Cabe aos pais implementar regras para evitar que os filhos se tornem viciados em equipamentos eletrónicos. Só com uma orientação adequada os miúdos conseguirão tirar o melhor partido da tecnologia e ter um desenvolvimento infantil saudável.

 



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