Atividades extracurriculares: o que pesa na hora da decisão!

Atividades extracurriculares

As atividades extracurriculares foram já abordadas num artigo de reflexão sobre o seu papel e peso na vida das crianças. Constatamos que estas têm vindo a assumir um papel crucial, não só na gestão quotidiana das famílias, como também no desenvolvimento cultural, artístico, expressivo e psico-motor das crianças, contribuindo para um reforço da sua autoestima e melhoria do seu relacionamento social.

Então, se tais atividades são um complemento indispensável à educação das crianças e contribuem fortemente para a harmonia familiar, faz todo o sentido que os pais sejam, por um lado, os responsáveis pela apresentação das mesmas aos seus filhos, e, por outro, orientem os seus filhos para a escolha mais acertada. Só que na hora da seleção os pais vêem-se confrontados com duas questões:

  1. Quais são as atividades extracurriculares disponíveis? Onde as posso encontrar?!
  2. Qual será a mais adequada para o meu filho?

 

Tipos de atividades extracurriculares

Existe uma panóplia de atividades extracurriculares. Desde teatro, dança e ballet, desportos individuais (como ténis, artes marciais, yôga, patinagem, equitação, natação, atletismo), desportos coletivos (como futebol, vólei, basquete, andebol, ginástica artística), desportos de aventura (escalada, surf, btt), ciclismo, canoagem, xadrez, línguas (como inglês, espanhol, francês, alemão), informática, música, pintura, escultura ou desenho, e escutismo. A oferta é realmente vasta e todas envolvem compromisso e dedicação!

 

Fatores a ter em conta no momento de escolha

É conveniente que, no momento da seleção, os pais ponderem sobre fatores como o tempo e despesas com deslocação. Felizmente, para comodidade de muitos pais e seus filhos, a maioria das escolas tem vindo a investir na oferta de atividades extracurriculares a disponibilizar às crianças. Porém, isto não torna a tarefa da escolha mais fácil para os pais!

Cada atividade extracurricular é única no tipo de aprendizagens que promove e nos benefícios que proporciona ao desenvolvimento das crianças. Por outro lado, as crianças já passam demasiadas horas em atividades letivas, pelo que a sua participação nas atividades extracurriculares não deve ser sentida como obrigatória. Os pais devem ter em consideração que as atividades extracurriculares não podem sobrecarregar o horário dos filhos. Eles necessitam de tempo para si próprios, para as brincadeiras típicas da sua idade e para se dedicarem ao estudo. Como tal, os pais devem envolver os filhos no processo de escolha. Salvaguardando aqui, como é óbvio, que o nível de envolvimento é diretamente proporcional à idade da criança. Quanto mais velha, mais a sua opinião deve ser tida em conta.

 

Atividades extracurriculares: uma escolha participada e informada.

Para que haja uma educação integral das crianças, os pais devem deixá-las participar ativamente no processo de escolha das atividades.

Assim, os pais devem começar por ter uma conversa franca e direta com os seus filhos. Nesta, devem falar, de forma informada, sobre as atividades extracurriculares que consideram mais adequadas ao seu perfil. Para além disso, também, devem deixar em aberto a apresentação de possibilidades de atividades por parte dos filhos.

A verdade é que nem todas as crianças possuem os mesmos gostos, vontades e habilidades e, muitas das vezes, estas são díspares das dos pais. Manipular os gostos dos filhos é um erro comum a muitos pais na altura da escolha das atividades extracurriculares. E, claro, o resultado depois não é o esperado!

O nível de ansiedade das crianças aumenta, gerando conflitos familiares que facilmente se evitariam se os pais estivessem bem cientes de que a decisão final da atividade extracurricular pertence aos seus filhos. Por isso, os pais não devem forçar as crianças a escolher atividades extracurriculares em que eles gostariam de ter participado quando tinham a idade dos seus filhos. Antes sim, devem ajudar os filhos a optarem por atividades curriculares que lhes permitam superar problemas ou dificuldades. Por exemplo, se uma criança tem problemas de relacionamento interpessoal, então os pais devem estimulá-la a praticar em atividades em grupo, como os desportos coletivos. Se a criança for mais introvertida, atividades como o ballet, o teatro e os grupos corais poderão contribuir para um reforço da sua autoestima.

 

Esteja preparado: querer mudar de atividade é normal

Outro aspeto a ter em consideração é que a volatilidade dos interesses das crianças é uma constante. Os pais devem estar preparados para que a escolha inicial de uma dada atividade extracurricular não seja a escolha definitiva! E devem ter capacidade de encaixe. O essencial é que a criança enquanto participa em determinada atividade, o faça de forma motivada, aprenda a superar-se e desenvolva e amplie as suas competências.

Contudo, deixamos a ressalva, compreensão não é sinal de benevolência. Responsabilize o seu filho pela escolha. Alerte sobre a importância de manter um compromisso até ao fim, ainda que todos possamos errar uma vez.

 

No final, o que pesa mais, é a felicidade das crianças!

O mais importante é que, aquando da escolha das atividades extracurriculares, os pais valorizem a personalidade dos seus filhos e as suas motivações, tenham em conta as suas capacidades e aptidões individuais bem como as suas dificuldades, orientando-os na opção mais adequada. Esta é no fundo a premissa deste texto pese embora os pais tenham que, caso a caso, acrescentar outros fatores na equação. No meio de tantas preocupações, é importante não esquecer o essencial: o que deve sempre pesar na seleção das atividades extracurriculares é a felicidade das crianças!



Deixe uma resposta